Relicário: a voz da mulher nativa brasileira que não se pode calar

#cassiaeller #nandoreis #relicario #india #povosoriginarios #almabrasileira #robertocarlos #paraguai #constelacao #contelacoesfamiliares #transgeracional #almabrasileira #vemprazoe @wagner.soaresdelima @zoeintegrativa #zoeintegrativa



É uma índia com colar, a tarde linda que não quer se pôr [...] E são dois cílios em pleno ar, atrás do filho vem o pai e o avô [...] O que você está fazendo? Um relicário imenso deste amor.

> Link da Letra


Esses são trechos da música “Relicário” de Nando Reis, que ficou conhecida na voz de Cássia Eller. É muito bonita e enigmática. Nando Reis costuma explicar suas composições com fatos de sua vida. Acho que ele não se dá conta, que quando escreve ele vai no fundo da alma coletiva, ele fez isso em “Segundo Sol”.

Relicário é onde se guarda os restos mortais de alguém digno de veneração. Hoje em dia, o mais usado é o em formato de colar que fica no pescoço, às vezes no formato de coração, quando se abre tem dentro a foto da pessoa amada ou de seu ancestral. Pode vir junto com um pedaço da roupa ou cabelo daquela pessoa. Os jovens estão usando um colar com símbolo repartido, onde cada parceiro fica com uma metade.

Outro tipo comum de relicário é o pequeno baú ou urna funerária onde se coloca as cinzas ou os ossos do ente querido já falecido. O que se percebe é que Nando Reis fala do amor entre o elemento masculino que não quer que a noite de amor acabe e uma alma feminina nativa. Roberto Carlos também cantou uma música para a “alma selvagem” da índia.


Na música de Roberto, é o masculino atrevido e galanteador que vai partir. Na música de Nando, é a noite que insiste em acabar e olha que inusitado, alguém pedir não para sol permanecer, mas para que o dia não chegue.

Se você prestar atenção parece que de alguma forma a música de Nando Reis responde ou continua a de Roberto Carlos. Para a visão sistêmica e arquetípica sobre as raízes da sociedade brasileira. Precisamos destacar dois trechos da música Relicário.




1. “Atrás do filho vem o pai e o avô” – algo ficou para trás e hoje nós somos filhos de Grande Mãe Nativa do Brasil, mas nosso pai tem uma dívida. A mulher nativa livre dorme com quem quer e não é obrigada a casar com esse homem. Isso deixa o masculino europeu e africano sem entender, deixa ele desnorteado. Para poder ter uma índia para chamar de sua, esse masculino precisa prendê-la, rasgá-la e sufocar dentro dela tudo o que tinha cheiro de liberdade.

2. O outro trecho é “O que você está dizendo? O que você está fazendo?”. Há vozes sussurrando em seu coração dizendo, você não pode deixar barato, eles não podem mandar em você. E não podem mesmo. Mas como você está fazendo para virar o jogo? Sendo livre, que é sua natureza intrínseca, ou sendo uma prisioneira raivosa?



Há um choro no ar, a Grande Mãe Nativa tanto do Brasil como do Paraguai, cobram os seus filhos que foram mortos. Chegou ao ponto, de que o legado genético, nem mais está em corpos de pessoas que se reconhecem como indígenas, muito dessa herança está em pessoas que se percebem como negros ou brancos.


Muitas mulheres que hoje estão nas cidades e vivem os costumes da modernidade, não sabem, mas são filhas diretas de uma ancestralidade matrilinear ameríndia. A mulher nativa brasileira não precisa de matriarcado como a africana e não se submete ao tipo de patriarcado europeu. Ela não precisa de poder, ela é poder. Na vida atual, ela acaba lutando pelo espaço que já tinha, porque está diante de uma estrutura imposta por outros costumes de culturas estranhas.

Nos casos clínicos, vemos vários distúrbios socioemocionais advindos da falta de espaço para a expressão desse feminino livre, selvagem e indomável. Em muitos casos, os costumes europeus e africanos levam a um culto de amor ao pai daquela mulher, com certa dose de dependência, mas a memória ancestral das mulheres do passado dizem: seja livre, você não depende de homem nenhum. Isso traz contradições e essa mulher se vê diferente das demais mulheres que convive, inclusive de suas irmãs ou mãe.

O relicário com os restos mortais são delas, das suas ancestrais. É preciso devolver, tome delas a força que você vai precisar para superar os desafios da vida, mas devolva a elas a resignação e o amargor da dor do luto, elas sabem o que fazer com isso. Elas têm grandeza suficiente para reciclar essa energia.


O homem, a profissão, a instituição ou um projeto de caráter masculino vai chegar sorrateiro e vai te tirar a liberdade, prometendo amor e vai lhe deixar sozinha com o filho para criar. O filho pode ser uma criança de verdade, mas também pode ser um projeto inacabado. Tenha cuidado, ele vai surgir porque você não é apenas índia, você também é a filha do pai europeu ou africano que só quer ser amada.


Honre-as sendo forte e não levando consigo o rancor. E mesmo sendo indomável, abra-se ao amor com docilidade, quando estiver diante de alguém que saiba te respeitar. Preste atenção, cuidado, você é filha delas, mas também é descendente da memória masculina europeia e africana.


Você talvez não tenha como, teria que enfrentar a todos e tudo para mostrar o quanto seus ancestrais foram massacrados. Respire fundo, conecte-se com a Terra, grite, chore, tome posse do que é seu, mas devolva aquilo que não lhe cabe mais.

Temos que falar mais sobre essa questão, é uma das mais fortes que podemos ver na Alma Brasileira.


> Wagner Soares, agosto de 2020


Você também pode se interessar por outro artigo publicado no Dia Internacional da Mulher em 2020: "Mulher brasileira e suas raízes: a força de sua ancestralidade afro-ameríndia"

©  2020 por Zoe Integrativa  | www.zoeintegrativa.com

  • Instagram
  • Facebook
  • Branca ícone do YouTube
  • Branca Ícone SoundCloud

Tel: (81) 9.9188-1404

Informações comerciais:
Responsável pelas vendas - CPF n.º 036.148.444-55 | Prazo estimado para entrega dos produtos físicos - de 5 a 15 dias

Nosso Conteúdo

Blog

Loja

Livros

Óleos Essenciais

Canal do Youtube