Blog Zoe Integrativa

Quando o amor faz mal e te transforma em alguém que você não reconhece mais


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Esse é um filme que se repete e o roteiro é o seguinte: “eu pensei que era você, eu entreguei a chaves do meu coração. E você o que fez? Brincou, zombou e eu ainda ficava aqui esperando algo mudar”. Às vezes, a prisão que nos segura numa história que não tem futuro e que insiste em nos quebrar por dentro, pode não ser por uma coisa ruim, mas uma coisa boa.


Estamos continuando nossa série “Precisei te perder, para poder me encontrar” e dessa vez a Terapia com Música vai refletir sobre a letra da música “How do you sleep?”, interpretada pelo cantor britânico Sam Smith. Vamos usar uma versão de tradução livre que tenta capturar o sentido geral da música no contexto da dependência emocional e a influência dos laços afetivos com seu pai e sua mãe nas escolhas, ainda que inconscientes, da sua vida adulta. Como meio didático para explicar como podem ocorrer esses processos de entrega a um projeto de vida e uma ruptura por mudança de planos pela outra pessoa, vamos usar a letra da música de John Lennon que tem o mesmo título: “Como você consegue dormir em paz?”.


♫ “How do you sleep” | Sam Smith (Tradução livre para o português)

Eu estou cansado de me odiar por tudo o que sinto Chega de chorar a noite toda Eu preciso me afastar para poder me curar ... Quem sou eu, que não me reconheço mais.

Antes de irmos para o restante da letra dessa fabulosa música, que pode até lhe fazer chorar de tão verdadeira que é, quero lhe explicar primeiramente o contexto do que vamos falar.



Eu vivo só para ele e quero ele só para mim


Se você se permitir, por favor, imagine-se comendo aquilo que você mais gosta, aquele prato, um doce, aquela comida que você mais aprecia. Agora vamos imaginar que todo dia lhe seja oferecido o seu prato preferido e outra opção. Diante de você duas opções, digamos que aquele outro prato fosse algum que você já conhecesse. Muito provavelmente você tenderia a optar pelo prato que você mais gosta, tendo em vista que já sabe qual é o melhor. Se em algum dia desses, quando fosse percebido que você estivesse perto de escolher a opção diferente da preferida, até mesmo para variar, as opções já conhecidas lhe seriam tiradas. E todo dia agora lhe seria oferecido seu prato preferido e um prato novo encoberto.


Meu Deus!? Nessa brincadeira já faz um tempão que você só come o seu prato preferido, só sente o cheiro dele, só sabe comer, se for o seu prato preferido. Isso já está lhe dando dor de barriga, mas nada mais importa. Ele até perdeu um pouco a graça, mas não vale arriscar perdê-lo, certo? Errado, o nome disso é dependência. Vamos mudar do prato preferido para a pessoa que te fez suspirar e ir no céu. Aquela pessoa por quem, um dia, você foi apaixonada. Alguns vão chamar isso da bela fase pacífica do amor e pode ser mesmo, se você não estiver se acabando por isso. Se, apesar de algumas dores, você estiver sustentando e na balança entre pontos positivos e negativos está valendo a pena, então tudo bem.


Agora, se estamos falando de um jogo, onde você só perde e, enquanto, você está aprisionado nisso, a outra pessoa vive mais livre e despreocupada, não vai adiantar você querer que ela seja puxada para a mesma prisão sua. É você que vai ter que se libertar. Se vocês dois estão na mesma prisão, pode ser que um precise do outro para consegui saírem juntos dela. Comer sempre o mesmo prato, não quer dizer fazer sexo com mesma pessoa sempre, essa não é a questão principal. Para alguns isso pode até ser parte do problema, porque realmente existem pessoas que naturalmente fazem sexo com mais de um parceiro, mas essa é uma outra situação, um pouco mais complexa.


Se você está passando por problemas desse tema que estamos falando, então, é provável que o fato da outra pessoa está fazendo sexo com terceiros, mesmo tendo compromisso com você lhe perturbe muito. E nem passe pela sua mente fazer igual de coração limpo, se fizesse seria por vingança, uma forma de diminuir a dor da traição. O que você quer mesmo é que a pessoa “comprometida” com você viva apenas para você e você apenas para ela. Bem, na Lua de Mel isso faz sentido, naqueles primeiros meses de novidade isso é bem gostoso, mas com o passar do tempo isso pode ser sufocante.


E com o passar do tempo, esse viver somente para a outra pessoa se tornou uma meta na sua vida, aconteceu, que você nem percebeu. Quando se deu conta, toda sua vida girava em torno desse relacionamento: suas finanças, o estilo de música que você ouve, os lugares que você vai, as pessoas que você convive. O mais sério não é que você faz por ela, é o que você não faz ou deixou de fazer por ela. Os lugares que você não vai mais, as pessoas com quem você não se relaciona mais e os sonhos e objetivos de vida que você abandonou por ela ou melhor pela ilusão desse relacionamento.


É difícil ter que constatar que essa barra, esse sacrifício é mais pesado do seu lado. Você fez essa entrega de corpo e alma, a pessoa em algum ponto recuou e ficou apenas na superfície sem mergulhar de cabeça como você fez. Sabe por quê? Porque esse oceano no qual você mergulhou é o mundo profundo do seu coração, das lembranças, da sua mente. É em você que faz sentido esse entrega completa, para a outra pessoa isso é chato, medonho e estranho. Ela tem ficado por conveniência, por comodidade.


Alguns vão te dizer que ela não te ama de verdade. Pode não ser bem assim. É verdade, que pela fragilidade que está implantada dentro do seu psiquismo, você se permita ser alvo de alguém que está se aproveitando. Mas podemos mudar o ponto de vista e passar a ver da seguinte forma: você está disposto a esse vício, mas essa pessoa com quem você convive e divide parte da sua vida, simplesmente, não está disposta a ficar doente igual a você. O que você chama de amor sincero, pode ser visto por uma pessoa mais livre, como prisão ou doença.



♫ Terapia com Música



Agora chegou a hora de nossa sugestão de dinâmica de autoconhecimento e cura interior. A proposta é que você leia a letra da música traduzida para o português no site Letras. Depois assista o vídeo-clipe com legendas em português lá mesmo no site Letras, ou no canal do André Alves no YouTube. Sinta a música, se entende o inglês feche os olhos. Veja a expressividade da dança dos bailarinos, sinta o drama. Se você estiver passando ou passou por algo semelhante, provavelmente vai chorar, deixa as lágrimas caírem. E se vier indignação por ter chegado a isso, deixa isso sair com um grito, com algum gesto. Se quiser, dance!



Como você pode dormir, quando mente para mim?