“Precisei te odiar para poder me amar”: complexo parental levado às últimas consequências

Atualizado: 11 de Dez de 2019


Você já deve ter visto em filmes ou desenhos animados aqueles contos em que nasce um animalzinho no ninho, normalmente uma ave, em que a primeira coisa que se mexa é chamada de mamãe. Existe algum tipo de “programação” já instalada de fábrica que fazem os filhotes se apegarem aos pais como se disso dependesse suas vidas. Talvez, porque realmente dependa.


Na abordagem psicológica desenvolvida por Carl Gustav Jung, as impressões que nossos pais nos deixam desde a infância são chamadas de complexo parental, quer seja o materno como o paterno. Outras várias abordagens também vão falar sobre o relevante papel que nossos pais, ou quem quer que fique no lugar deles, tem na construção de quem nós somos.


♫ Terapia com música


O título deste artigo é uma parte do refrão da música “Lose You To Love Me”, interpretada pela cantora norteamericana Selena Gomez. Na verdade, é uma ideia inspirada numa passagem bíblica da qual queremos falar no final, quando formos apresentar um exercício e explicar: como assim odiar outra pessoa para poder amar a si mesmo?


Se preferir ouvir a música de Selena em uma versão cantada em português, confere então o cover feito pelo Pedro Arcafra.


Por ora, como isso ainda não foi completamente explicado e já que vamos falar das imagens de nossos próprios pais, é melhor não fixarmos no verbo odiar, mas fazer como na música de Selena: “precisei te perder, para poder me encontrar”. É um assunto delicado e antes de propor qualquer tipo de ação, precisamos explicar algumas coisas para você. Por isso esse texto foi dividido em três partes. Na primeira vamos compreender como o complexo parental funciona e como pode se tornar uma armadilha.


Na segunda parte, entender que a repetição do padrão de relacionamento com seu pai ou sua mãe pode ser positivo ou negativo e como você pode identificar se isso tem ocorrido com você.


Na terceira parte, vamos falar como é necessário trilhar seu próprio caminho. Por fim, vamos fazer o exercício para identificar e falar das possíveis formas de lidar com a questão.



Complexo parental age praticamente por toda nossa vida


Dizemos que o complexo paterno e o materno tendem a influenciar várias decisões suas durante toda a vida. Há pessoas que já são adultos maduros na idade e ainda estão reagindo a fatos da infância correlacionados com a relação estabelecida com mãe e pai. O senso de lealdade, amor, gratidão e o poder de influenciar, tornando os pais uma referência a ser imitada é tão grande, que uma grande decepção ou um acúmulo de frustrações nessa reação podem gerar os sentimentos inversos na mesma intensidade: ódio, mágoa, repúdio e vontade de fugir da referência, fazendo o máximo de coisas diferentes deles.


É importante notar que não estamos falando necessariamente do homem ou da mulher que foram seu pai e sua mãe. Na verdade, é muito provável que você não tenha nenhuma queixa direta àquela senhora ou senhor que moram perto, longe ou que já faleceram. Estamos falando sobre a imagem que você tem deles. E é bom que você saiba, nossa mente consegue pregar uma peça em nós, usando um artifício de associação que economiza tempo de aprendizado e poupa energia em reviver uma infinidade de experiências afetivas novamente.


Independente se a relação com sua mãe ou com seu pai foi boa ou má, você tenderá a identificar nas relações com outros sujeitos ou objetos transacionais os mesmos padrões de atitude-comportamento que você tinha com seus pais. Isso tende a ocorrer com mais intensidade na procura pelo parceiro, namorados e maridos geralmente tem aspectos de semelhança com o pai, assim como namoradas e esposas podem lembrar muita coisa da mãe. Mas essa correlação não fica apenas no âmbito do relacionamento amoroso, ela se estende para outros campos da sua vida, como trabalho, estudos e outros grupos sociais.


Por exemplo, seu chefe pode está de alguma forma representando, inconscientemente para sua mente, o seu pai. Enquanto sua relação com a empresa de uma forma geral, ou com a igreja ou o partido, desempenhem uma função de ser uma versão atual de sua mãe. Por rebatimento seus colegas de trabalho podem figurar como irmãos ou primos e assim por diante.



Um amor que por se tão bom (ou seguro), se torna uma prisão


Essa atração por aquilo que pareça sua mãe ou seu pai é tão intenso, que essa armadilha psicológica pode se tornar difícil de escapar mesmo você percebendo isso. Outra situação comum é quando você se torna, nessas novas relações, algo parecido com um de seus pais e estabelece uma relação com alguém sob seus cuidados, que pode ser um funcionário, um aluno, para ilustrar a situação. Nesse caso é a outra pessoa que fica loucamente atraída por você, sendo que você nem sabe explicar ao certo e passa a ser responsável por ela, só que ela espera de você um cuidado que não condiz com a relação formal que vocês têm.


Isso ocorre muito, quando você resolve ter relações sexuais com outras pessoas mesmo já sendo casado. Um dos dois amantes está ali apenas por sexo, o outro pode inesperadamente ver no outro a imagem do companheiro perfeito e insistir em algo mais. Mas por que essa pessoa jura que encontrou a pessoa perfeita, ao ponto de se esforçar para que a outra deixe seu casamento?


Muito provavelmente a explicação possa está no fato de que esse que se apaixonou viu no outro a figura das lembranças mais amorosas do pai ou da mãe, ou até mesmo a projeção da imagem do pai ou mãe que ele nunca teve. Esse tipo de paixão arrebatadora, numa proporção menor, talvez ocorra com a lembrança do irmão ou da irmã e aí já viu, você não vai querer deixar aquele que representa o pai ou a mãe e ficará na dúvida entre o marido e o amante.



Quando essa dinâmica determina situações no trabalho e fora do âmbito pessoal


Enquanto um amante pode insistir em algo mais, de forma imprudente; quando essa correlação ocorre para com a empresa ou a profissão, a pessoa pode se tornar um viciado em trabalho e deixar tudo, inclusive a própria família, para atender as necessidades do ofício. Nesse caso a pessoa esquece tudo e só pensa no trabalho, como uma grande paixão, parecendo até mesmo que está indo cuidar de uma pessoa que precisa muito da ajuda dela.


Isso pode ocorrer com outras organizações da sociedade humana? Pode, apesar dessa não ser a única explicação para uma paixão arrebatadora por uma religião ou um movimento político, já porque o fanatismo religioso ou ideológico tem outras dinâmicas de estabelecimento. Entretanto, no fundo de uma entrega total feita a uma instituição ou aos líderes de um grupo social, pode também está uma projeção da imagem dos pais.


Como você está percebendo, esse assunto rende muito mais e pode esclarecer muitas formas de entrega ou de aversão que temos com grande intensidade a elementos de nossas vidas. A lembrança inconsciente da relação para com a mãe ou o pai (ou quem quer que tenha feito o papel deles) pode ter deixado mais impressões positivas ou então mais marcas negativas.


A Parte 2 desta série já foi publicada, confira aqui nesse link: "Complexo parental positivo ou negativo, identificando a influência deles em sua vida adulta".


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Mas talvez sua necessidade imediata seja mesmo de desabafar, de poder ser ouvido por alguém. Recomendo que faça uso do serviço do Centro de Valorização da Vida (CVV): "Como Vai Você", gratuito, 24 horas, válido para todo o Brasil. Basta ligar 188 ou acessar: https://www.cvv.org.br/


Sobre o autor

Meu nome é Wagner Soares tenho 37 anos, sou taurino com ascendente em sargitário, ao todo fui e sou pai de 5 filhos, natural de Maceió-AL, mas resido em Recife-PE, onde trabalho como servidor público federal. Já estudei Administração e Segurança Pública, área que ainda atuo. Depois de um divórcio difícil, uma mudança de emprego marcante e um intenso movimento de afirmação de minha sexualidade, percebi que tanto no ambiente da vida pessoal como da social, conteúdos psicológicos profundos afetam a trajetória das pessoas assim como das organizações. Por isso me tornei mestre em Ecologia Humana focado no campo da Ecologia Mental, sob as bases da Psicologia Complexa de Carl Gustav Jung.


No intuito de trazer saúde para os sistemas sociais humanos, entre eles as organizações do trabalho, tenho buscado saberes e práticas de cura. A cura de empresas, famílias, órgãos, partidos, sindicatos e instituições em geral perpassa em conjunto pela cura das pessoas que integram esses sistemas sociais. Percorrendo esse caminho, hoje eu sou constelador familiar, terapeuta organizacional e aluno de Psicologia.


  • Para empresas e demais instituições ofertamos nossos primeiros achados da Ecologia Organizacional Clínica, através de consultoria.

  • Para as pessoas abordamos as Ciências da Família nos temas de Sexualidade, Conjugalidades e Cultura, assim como ofertamos sessões de constelação familiar e processos de life coach.


Site: www.zoeintegrativa.com/wagnersoaresdelima Instagram: https://www.instagram.com/wagner.soaresdelima/

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