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Doce vida azeda: por que o diabético de alguma forma manifesta certo grau de desistência pela vida?

Atualizado: Jan 24

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Neste texto, você vai entender o que é o diabetes mellitus, a função da insulina e as implicações de seu mau funcionamento para o acúmulo de glicose no sangue e a excreção dessa grande quantidade pela urina. Em seguida, vai ter acesso a ideia de que a doença só se estabelece no corpo, após de certas condições de estresse psíquico sejam atingidas. Nisso está o que alguns pesquisadores e profissionais insistem em dizer que o “corpo fala”.


Deve existir, portanto, um padrão de dinâmica mental disfuncional que leva ao surgimento, no corpo, dos sintomas aparentes. Sintomas esses que, por costume, chamamos de doença. Nesse caso, a doença em si seria de cunho psicológico e se estabeleceria antes mesmo que qualquer sinal pudesse ser percebido no corpo. Esse padrão mental seria uma atitude inconsciente de desistência da vida e você verá que o “remédio”, no caso do diabetes, seria voltar a sonhar e sentir gratidão pelo dom da vida, ou seja, amar a vida.


O que é o diabetes mellitus? Entendendo um pouco sobre a insulina e glicose.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes[2], uma epidemia de diabetes mellitus está em curso, com mais de 380 milhões de pessoas acometidas em todo mundo. Pesquisa da década de 1980[3] estimou que, no Brasil, 7,6% da população adulta sofreria com a afecção dessa síndrome que, em suma, decorre da falta de insulina ou da incapacidade da insulina em exercer adequadamente seus efeitos, constituindo uma condição que permanece pelo restante da vida da pessoa (condição crônica).


A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que entre outras funções, promove a entrada da glicose no interior das células, para que dentro delas a glicose sirva como “combustível” principal da respiração celular. Processo pelo qual as células obtém energia, quebrando a glicose em uma sequencia de reações químicas, que usa o oxigênio e gera dióxido de carbono, água além da energia necessária para o metabolismo geral[4].


O termo diabetes surgiu há muito tempo, desde a época dos gregos antigos e quer dizer que a pessoa está se esvaindo de líquido, não para de urinar. Em certo momento percebeu-se que existia doenças diferentes: a primeira, em que se urinava sem parar, perdendo basicamente água e líquidos esse é o diabetes insipidus (ou seja, sem sabor). A doença da qual estamos falando, neste texto, é o diabetes mellitus; essa palavra quer dizer “como o mel”, ou seja, doce.


Quando a insulina não funciona ou quando ela não é devidamente produzida, a glicose fica na corrente sanguínea sem entrar nas células. É possível dizer, que as células “passam fome”, tendo a fonte de energia bem perto delas, mas que não consegue passar pela membrana celular. Os sintomas, quando aparecem, são urinar muito, fome e sede constante[5]. Devido a complicações da condição prolongada sem o devido controle é possível que o diabetes mellitus leve a problemas nos rins, feridas e amputação dos membros inferiores e dificuldades na visão, até mesmo, a cegueira. Em conjunto, sofrem as funções do cérebro, do coração e de todo o sistema cardiovascular.


Apesar de terem sido identificados fatores de risco que podem levar a pessoa a desenvolver o diabetes do tipo 2, na verdade, não se sabe ao certo o que, originalmente, desencadeia a síndrome, sobretudo a do tipo 1. O diabetes do tipo 1 afeta, normalmente crianças e adolescentes, ocorre quando o sistema imunológico do próprio corpo “por engano” ataca as células produtoras de insulina dentro do pâncreas (células beta). O tipo 1 representa apenas 10% dos afetados pela doença é o tipo 2 que tem crescido em quantidade, atingindo sobretudo adultos e idosos. No tipo 2, a pessoa paulatinamente vai sendo acometida por uma tolerância ao efeito da insulina, que aos poucos começa a não mais funcionar como deveria.


É preciso muita sensibilidade para entender a linguagem oculta da doenças, neste artigo do blog temos a satisfação de lhe explicar um pouco sobre o que se passa no mundo emocional da pessoa acometida pelo diabetes. Preparamos um presente ainda melhor: no livro "Minha Doce Vida Amarga", explicamos ainda mais, não apenas sobre a doença física, assim como a dinâmica psíquica.


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Condições emocionais que envolvem o diabetes e nosso passado evolutivo


Já há registro de pesquisas suficientes demonstrando que o diabetes mellitus tem origem combinada entre outros fatores na condição emocional da pessoa. Liliana Graça e colaboradores[6] lembram-nos que "o diabetes, desde que começou a ser estudado, a partir da prática clínica, trouxe as situações emocionais como preponderantes apara a abertura e/ou agravamento da doença". Segundo o mesmo grupo de pesquisadores, o processo de adoecimento que culmina no diabetes, dinamiza-se por um conjunto triplo de fatores:


  1. um histórico familiar da doença;

  2. uma história de desenvolvimento emocional para com aqueles pessoas mais próximas e

  3. uma situação altamente estressante e prolongada.


O médico argentino Luis Chiozza[7] considera que os pacientes chamados de diabéticos têm algo em comum quanto ao que sofrem no corpo, apesar de terem nuances diferentes nos diversos tipos de diabetes. É oportuno, que indiquemos a existência de um não aproveitamento de nutriente básico para vida, no caso do diabetes melittus, seria a glicose. No caso do insipidus, é a água. Mas, Chiozza falando mais especificamente do mellitus, também atenta que não apenas há semelhança no como a doença ocorre no corpo dessas pessoas, como também há similaridade no como essas mesmas pessoas agem perante as circunstâncias da vida:


Los pacientes que llamamos diabéticos, precisamente porque poseen algo somático en común (independientemente de la singularidad propia de cada uno de ellos), también tienen algo en común, según nuestra experiencia, desde el punto de vista psicológico (CHIOZZA, 2008).

Para o médico argentino, há um recuo na ousadia de viver. Ele alude inclusive a memória de nosso passado evolutivo, no qual passamos mais tempo como espécie precisando lutar todos os dias para sobreviver e manter aquilo que tínhamos conquistado. Poderíamos chamar de “sentimento de apropriação”[8], o qual deriva do sentir-se capaz de:


  • Disfrutar daquilo que está disponível e do que foi acumulado.

  • Adquirir ou lutar por aquilo do que se necessita e manter ou preservar, com seu próprio esforço, aquilo se conseguiu.


A linguagem psicanalítica tende aos padrõe