• Wagner Soares de Lima

Doce vida azeda: por que o diabético de alguma forma manifesta certo grau de desistência pela vida?

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Neste texto, você vai entender o que é o diabetes mellitus, a função da insulina e as implicações de seu mau funcionamento para o acúmulo de glicose no sangue e a excreção dessa grande quantidade pela urina. Em seguida, vai ter acesso a ideia de que a doença só se estabelece no corpo, após de certas condições de estresse psíquico sejam atingidas. Nisso está o que alguns pesquisadores e profissionais insistem em dizer que o “corpo fala”.


Deve existir, portanto, um padrão de dinâmica mental disfuncional que leva ao surgimento, no corpo, dos sintomas aparentes. Sintomas esses que, por costume, chamamos de doença. Nesse caso, a doença em si seria de cunho psicológico e se estabeleceria antes mesmo que qualquer sinal pudesse ser percebido no corpo. Esse padrão mental seria uma atitude inconsciente de desistência da vida e você verá que o “remédio”, no caso do diabetes, seria voltar a sonhar e sentir gratidão pelo dom da vida, ou seja, amar a vida.


O que é o diabetes mellitus? Entendendo um pouco sobre a insulina e glicose.


Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes[2], uma epidemia de diabetes mellitus está em curso, com mais de 380 milhões de pessoas acometidas em todo mundo. Pesquisa da década de 1980[3] estimou que, no Brasil, 7,6% da população adulta sofreria com a afecção dessa síndrome que, em suma, decorre da falta de insulina ou da incapacidade da insulina em exercer adequadamente seus efeitos, constituindo uma condição que permanece pelo restante da vida da pessoa (condição crônica).


A insulina é um hormônio produzido pelo pâncreas, que entre outras funções, promove a entrada da glicose no interior das células, para que dentro delas a glicose sirva como “combustível” principal da respiração celular. Processo pelo qual as células obtém energia, quebrando a glicose em uma sequencia de reações químicas, que usa o oxigênio e gera dióxido de carbono, água além da energia necessária para o metabolismo geral[4].


O termo diabetes surgiu há muito tempo, desde a época dos gregos antigos e quer dizer que a pessoa está se esvaindo de líquido, não para de urinar. Em certo momento percebeu-se que existia doenças diferentes: a primeira, em que se urinava sem parar, perdendo basicamente água e líquidos esse é o diabetes insipidus (ou seja, sem sabor). A doença da qual estamos falando, neste texto, é o diabetes mellitus; essa palavra quer dizer “como o mel”, ou seja, doce.


Quando a insulina não funciona ou quando ela não é devidamente produzida, a glicose fica na corrente sanguínea sem entrar nas células. É possível dizer, que as células “passam fome”, tendo a fonte de energia bem perto delas, mas que não consegue passar pela membrana celular. Os sintomas, quando aparecem, são urinar muito, fome e sede constante[5]. Devido a complicações da condição prolongada sem o devido controle é possível que o diabetes mellitus leve a problemas nos rins, feridas e amputação dos membros inferiores e dificuldades na visão, até mesmo, a cegueira. Em conjunto, sofrem as funções do cérebro, do coração e de todo o sistema cardiovascular.


Apesar de terem sido identificados fatores de risco que podem levar a pessoa a desenvolver o diabetes do tipo 2, na verdade, não se sabe ao certo o que, originalmente, desencadeia a síndrome, sobretudo a do tipo 1. O diabetes do tipo 1 afeta, normalmente crianças e adolescentes, ocorre quando o sistema imunológico do próprio corpo “por engano” ataca as células produtoras de insulina dentro do pâncreas (células beta). O tipo 1 representa apenas 10% dos afetados pela doença é o tipo 2 que tem crescido em quantidade, atingindo sobretudo adultos e idosos. No tipo 2, a pessoa paulatinamente vai sendo acometida por uma tolerância ao efeito da insulina, que aos poucos começa a não mais funcionar como deveria.




Condições emocionais que envolvem o diabetes e nosso passado evolutivo


Já há registro de pesquisas suficientes demonstrando que o diabetes mellitus tem origem combinada entre outros fatores na condição emocional da pessoa. Liliana Graça e colaboradores[6] lembram-nos que "o diabetes, desde que começou a ser estudado, a partir da prática clínica, trouxe as situações emocionais como preponderantes apara a abertura e/ou agravamento da doença". Segundo o mesmo grupo de pesquisadores, o processo de adoecimento que culmina no diabetes, dinamiza-se por um conjunto triplo de fatores:


  1. um histórico familiar da doença;

  2. uma história de desenvolvimento emocional para com aqueles pessoas mais próximas e

  3. uma situação altamente estressante e prolongada.


O médico argentino Luis Chiozza[7] considera que os pacientes chamados de diabéticos têm algo em comum quanto ao que sofrem no corpo, apesar de terem nuances diferentes nos diversos tipos de diabetes. É oportuno, que indiquemos a existência de um não aproveitamento de nutriente básico para vida, no caso do diabetes melittus, seria a glicose. No caso do insipidus, é a água. Mas, Chiozza falando mais especificamente do mellitus, também atenta que não apenas há semelhança no como a doença ocorre no corpo dessas pessoas, como também há similaridade no como essas mesmas pessoas agem perante as circunstâncias da vida:


Los pacientes que llamamos diabéticos, precisamente porque poseen algo somático en común (independientemente de la singularidad propia de cada uno de ellos), también tienen algo en común, según nuestra experiencia, desde el punto de vista psicológico (CHIOZZA, 2008).

Para o médico argentino, há um recuo na ousadia de viver. Ele alude inclusive a memória de nosso passado evolutivo, no qual passamos mais tempo como espécie precisando lutar todos os dias para sobreviver e manter aquilo que tínhamos conquistado. Poderíamos chamar de “sentimento de apropriação”[8], o qual deriva do sentir-se capaz de:


  • Disfrutar daquilo que está disponível e do que foi acumulado.

  • Adquirir ou lutar por aquilo do que se necessita e manter ou preservar, com seu próprio esforço, aquilo se conseguiu.


A linguagem psicanalítica tende aos padrões comportamentais da base evolutiva e mais simples e diretos da atitude humana/animal, quando não se volta para a linguagem mitológica. Talvez, para o contexto dos novos debates sociais e culturais o termo fosse melhor traduzido para “sentimento de empoderamento”. Com apropriação ou empoderamento quer se dizer que você precisa tomar a vida, pegá-la para si. Dizer “essa é a minha vida”, “eu a vivo com todas as minhas forças”.


Se tivermos que falar ainda sobre como o humanos primitivos viviam, teremos que lembra que houveram três formas de se nutrir para sobreviver:


  1. Coletores-caçadores: coletar (pegando aquilo que estava disponível) e completando com caça;

  2. Caçadores e pastores (nômades): enfrentando grandes desafios para grandes caçadas e

  3. Agricultores e pastores: vivendo daquilo que se conseguiu montar e manter perto de casa, tal como o roçado da agricultura ou o rebanho de animais domesticados[9].


Você pode perguntar por que falarmos sobre a história natural da espécie humana? Vamos falar apenas como de um modo geral em cada época o seres humanos buscaram sua subsistência. Isso são estratégias de segurança alimentar, de ordem nutricional. Tanto a síndrome do diabetes mellituscomo a “atitude diabética”, quer seja no plano físico, como no plano psíquico, é uma disfuncionalidade da ordem nutricional, ou seja, da obtenção e do uso de energia para o corpo, bem como para a alma.


Sabemos que coletores tinham uma vida rica e sofrida[10], ao mesmo tempo, em uma “aventura diária” para achar aquilo que ia alimentar a si mesmo e sua família. Com o tempo a região não tinha mais o que oferecer, vinha o inverno, a chuva ou a seca e era preciso partir para outro lugar. Eram nômades, mas não tanto quanto os caçadores vorazes e aqueles que cuidavam de rebanhos, esses tinham que se deslocar constantemente e eram forjados em seu comportamento para vencer desafios pela força e destreza. Enfim, veio a agricultura e as populações pouco a pouco foram se fixando em locais, onde se construía os abrigos para morar e as construções coletivas, como casas de culto.


Somos hoje fruto de todas essas influências, somos um povo sedentário, que vive a comodidade moderna. Muita coisa que era preciso lutar para se ter, nos veem com facilidade. Agora imagina uma estrutura mental que já foi caçadora, coletora, pastoril e agricultora, simplesmente ter tudo na mão. Quando surgem as dores comuns do viver, essa alma sucumbi, fica ferida, fecha-se em si mesma, com medo do que poderá vir de ruim novamente. Confunde adversidades triviais com grandes desafios, porque a grande luta da sobrevivência foi superada para a maioria da população.


Quando dissemos que esse estudo de ecologia humana pode nos ajudar a compreender inclusive as mudanças a nível social e civilizacional, podemos perceber que os modos de subsistência definem inclusive a predominância dos grupos alimentares: fibras, frutose, gordura insaturada, lactose, proteínas, carboidratos, gordura saturada e alimentos processados. Praticamente, percorremos a pirâmide alimentar no sentido do mais saudável para o mais danoso. Em termos de psicologia evolutiva, também mudamos a forma como nossa mente está pronta para desafios do como se manter vivo.





Outra forma de unir essa sabedoria ecológica ao estudo simbólico está no fato de que justamente a caça-coleta se assemelha a infância, na qual dependemos daquilo que a mãe-natureza nos oferece; a caça e o pastoril nômade assemelha-se à dinâmica envolvida na juventude, onde saímos e lutamos muito para nos estabelecer; já a vida de agricultor e pastor de rebanho fixado em uma terra, é geralmente, o tipo de anseio para uma vida adulta madura, na qual aproveitaríamos aquilo do que acumulamos. Existe uma responsabilidade de cumprir a expectativa desse roteiro, que tem o peso de milênios de história humana.


Isso quer dizer que na mesma casa ou na mesma família podemos encontrar pessoas com diferentes tipos de padrão mental de subsistência, pessoas que encarnam o modo caçador, pessoas que agem como coletores ou como agricultores fixados na terra. A mesma pessoa pode atuar na vida em diferentes padrões, a depender dos objetivos e das circunstâncias. O que parece está ocorrendo é que agricultores, ou até mesmo artesãos, que vivem em cidades, que deveriam está com suas vidas já toda certinhas, ficam apavorados quando coisas novas que fogem do esperado ocorrem e não sabem como reagir. E um fato, atrás do outro, sempre ocorrendo mais frustrações, do que conquistas pode anular o ânimo e o vigor da pessoa.


Significado simbólico da atitude diabética


Se antes as feras pelas quais tínhamos que lutar eram reais e podiam literalmente nos abocanhar, hoje percebemos que ainda existem monstros em nosso interior mais profundo. Na falta das feras reais, nosso psiquismo se debruça em fatos cotidianos da convivência humana. Sem saber que o “inimigo” é interno, creditamos a frustrações amorosas, fracassos profissionais e decepções da vida um patamar de motivos para desistir de viver com alegria.


Existe um mecanismo interno de não esperar mais nada de bom que possa vir da vida, para não se frustrar. Uma busca insólita por segurança depois de tantas decepções. A doçura da vida está bem ali, na sua frente, mas você não a quer mais e chega a um ponto no qual você não consegue ver mais, nem tem ânimo suficiente para correr até ela. Mesmo sendo homens e mulheres modernas que compram a comida no supermercado, ainda sim saímos para “caçar”, para correr pelos nossos sonhos. O ser humano é um ser de sonhos, de esperança por algo que há de vir.


Mas aquele que não teve sucesso na primeira caçada, volta dizendo: “amanhã eu consigo”; já aquele que volta de inúmeras caçadas sem nada nas mãos diz: “chega, estou cansado de lutar, vou viver minha vidinha como posso, não quero mais sofrer desilusão”. O que será que marcou tanto você, ao ponto de lhe fazer ser desconfiado? Foi uma promoção que não veio, mas chegou para um colega? Será que depois de tanto esforço para realizar seus sonhos, seu patrimônio foi roubado ou destruído? Será que junto a divisão ou a perda dos seus bens, veio a dor da traição? Será que você teve que ver a insuportável cena de enterrar um filho?


Talvez, você precisou suspende sua vida por um tempo para prestar assistência a alguém totalmente dependente de você. E, por incrível que pareça, mesmo diante da felicidade de ver os filhos se realizando, poderá vir o contraditório sentimento de pensar: “poxa, doei muito de mim para que eles chegassem até aqui e eu, o que foi que eu fiz com minha vida para dar esse suporte?”. Estamos falando da ordem nutricional e filhos são fatores de grande importância, quando decidimos o quanto teremos que nos esforçar e do que teremos que nos abdicar.





É como se ocorresse uma luta interna dentro de você com dois atores encenando uma peça de teatro; só que essa peça não é ficção, é real e é a sua vida. Tem um “velho” que considera a vida desnecessária e muito perigosa, portanto, já pode acabar. E tem também um personagem mais novo que pode ser um jovem que ainda quer desfrutar da vida ou uma criança que ainda quer brincar. A criança está presa num quarto fechado por precaução de um adulto desconfiado. Portanto, teremos reações contraditórias de alguém que não se importa em morrer e uma mensagem de socorro de alguém que ainda quer viver.


Diabetes leva a pessoa a ter muita sede, isso é uma reação desesperada do sistema renal em diminuir a saturação da glicose. A fome é uma reação das "partes" de você que não concordam com esse decreto de morte. Mas infelizmente, o adulto desconfiado interno monitora o sangue, que logo tendo mais glicose, aumentará as defesas para evitar a todo custo que a vida siga, pois é muito perigoso. Sempre veio desgraça e com certeza sempre virá.


Os níveis de acidez alteram porque em desespero por viver, a “criança” pede comida e o jeito é quebrar lipídios. É literalmente como fazer sabão com a gordura do porco. Mas não tem mais jeito, o “adulto” interno, se torna um velho razinza e desconfiado. Ele tranca as portas, fecha as janelas do quarto dele. Nas células não entra vida. Falar em um adulto desconfiado e um velho razinza é algo bem peculiar da psicanalista brasileira Cristina Cairo, ela diz em seu livro: “Linguagem do Corpo”[11].


Quando uma pessoa passa a sentir a vida triste e sem doçura, perde lentamente as duas funções do pâncreas. Não consegue eliminar a “acidez” dos sentimentos e não consegue mais manter os seus pensamentos “doces” (CAIRO, 2018).

Mas, no desespero da quebra das gorduras, em busca de energia, está mais um ardil desdobramento do plano suicida do “velho” ranzinza, finalmente a fruição de vida (a corrente sanguínea) terá em si a marca do caráter do vencedor dessa disputa interna: o rio de vida vermelho se tornará azedo, será praticamente um tipo de vinagre. Esse pensamento entra em recursividade e agrava-se em: “eu já me conformei, que nunca mais serei feliz, mas de uma coisa eu sei, eu já fui e foi muito bom”. Por isso esse sujeito viverá aprisionado aos “bons e velhos tempos”. Quando esses velhos tempos forem um passado muito remoto, do qual não é mais possível sentir; quando a capacidade da luz do passado em iluminar os sonhos do futuro for tão diminuta, a síndrome se estabelece no corpo:


O acúmulo de muitos golpes contínuos, como amor perdido, frustrações financeiras, traições, faz com que a pessoa se apegue àquilo que já passou porque, inconscientemente, não consegue se acostumar à realidade das perdas. Assim a pessoa arrasta uma profunda mágoa pelo que ficou no passado e sente que o “doce” da vida acabou. A partir de então, passa a temer o futuro porque sabe que o “gosto” dele pode ser amargo e a insegurança predomina em seu coração (CAIRO, 2018).

Nesse momento não vai mais adiantar que o médico ou um parente diga: “se você não se cuidar, vai morrer”, isso não vai mais surtir efeito na mudança do comportamento, para o autocuidado durante o tratamento da doença. Simplesmente, porque sem que ninguém saiba, nem você mesmo, parece que o plano é esse mesmo: morrer pouco a pouco, porque a vida é azeda: “eu até vi doçura na vida, faz mais muito tempo”.


Assim sendo, você até pode dizer com sua boca: “preciso mudar a alimentação, vou começar a fazer caminhadas”, mas seu “coração” está empregando de amargura, você até tenta fazer certinho a dieta, os exercício, mas falta forças para as coisas mais simples da vida. Tem paciente que até para as aplicações de insulina ele precisa que alguém venha fazer por ele, mesmo ele sabendo como se faz. O problema é falta de ânimo e pode-se dizer que a pessoa perdeu todo o ânimo, quando ela recusou o convite de sua alma (ânima) para viver, para batalhar pelos seus sonhos.


É por isso que muitas pesquisas estão se aproximando de demonstrar a correlação da melatonina com o diabetes[12]. A melatonina é um hormônio da glândula pineal, localizada bem no centro do cérebro e está vinculada com o ciclo do sono, regulando nosso relógio biológico. A atitude diabética é uma inversão do plano normal do transcorrer do tempo, sem perspectivas de alcance dos seus objetivos no futuro, a pessoa para de lutar pela vida no presente e volta-se quase completamente para o passado, de onde ainda há lembranças de algo que foi bom.


Essa inversão mental no sentido do tempo, intenta paralisar o ser. Essa porção mais interna de você reage formulando sonhos, que ocorrem enquanto se dorme. Para se proteger dessa ameaça desesperadora, esse inimigo invisível que quer tentar te convencer de que ainda existe motivos para se arriscar no jogo da vida, a mente mais egoica parece tentar bloquear a produção da melatonina[13].


Em última análise, as disfunções renais e o alto nível de glicose (sem o devido uso pelo organismo, tornando-se um material inútil) são sintomas; as complicações na visão e na funcionalidade dos membros inferiores são efeitos do prolongamento da situação. Isso ocorre porque o diabético não quer mais ver. Para que ver? Se não vai poder desfrutar!? Assim como ele não tem mais para que andar, nem correr: para quê? Para achar algo novo e se decepcionar novamente!?


A doença em si é a recusa em viver, num plano combinado entre o físico e o mental, tendo como causa a crença justificada ou não de que viver não é agradável, não é doce e por não conhecer exatamente o amor pela vida ou uma vida com amor, trata-a como um mal do qual se deva expelir de si mesmo, esvaindo a doçura pela excreção, apesar de ter feito parte de si, de está ali mesmo acessível no sangue, e ainda sim, dizer com o próprio o corpo: “eu não a quero”.


Esse enredo é mais comum para o diabetes mellitusdo tipo 2. Existem dois tipos de diabetes mellitusque tem outro roteiro da peça de teatro, com outros personagens: o diabetes do tipo 1 e o gestacional. No caso do autoimune e idiopático de tipo 1, a criança ou adolescente está sentindo em si o agravamento das decepções e medos da história dos pais, pretendemos escrever em breve uma postagem direcionado aos detalhes dessa situação. No entanto, sobre o diabetes, que aumenta o nível de glicose no sangue, na presença de um feto no ventre da mulher grávida. Iremos tratar logo a seguir.


Diabetes gestacional: conflitos em meio a sequidão da vida


De certa forma estamos chamando o diabetes mellitusde origem pineal. Já um certo tipo de desequilíbrio na hipófise, parece está correlacionado ao diabetes insipidus, fala de uma “vida seca”. Em mulheres, esse pressuposto interno de ser uma “árvore seca” ou que o “mundo é um lugar de sofrimento”, quando não gera esse tipo de diabetes, pode desembocar problemas como ovário policístico. Há algumas esparsas evidências de que quando mulheres que tenham sido psiquicamente afetadas pela crença de uma “vida seca”, ao engravidarem entrem em conflito interno com a presença corpórea e simbólica de um “fruto” de si mesma que precisa de um abastecimento nutricional mais elevado.


Nesse contexto, surgiria a diabetes gestacional, para “obrigar” transitoriamente ao corpo da mãe a dar aquilo que a criança precisa, mesmo que ela inconscientemente, corresse o risco de negar-lhe. Há um conflito entre interesses contrastantes:


  1. a criança que se congrega a instâncias internas da progenitora, que ativam o complexo materno, no intuito de proteger o feto e

  2. um resquício de auto-preservação e de liberdade, que encara o futuro bebê como maior consumo de nutrientes que não se tem e como um invasor inoportuno, ou ainda como um ato de amor: impedir que ele nasça numa condição de miséria (que pode ser real: tal como fome e guerras, ou simbólica).


Não despropositalmente, o diabetes gestacional é um dos principais fatores de risco de pré-eclampsia, depressão pós-parto, natimorto e morte das progenitoras no parto e pós-parto, demonstrando que há uma guerra interior em curso, da qual podem resultar sequelas ou mortes. Mas é preciso esclarecer que estamos apenas formulando uma hipótese de cunho psicanalítica. Existem outros fatores envolvidos, por parte das mães se isso pudesse ser comprovado, não seria intencional e se esse tipo de mecanismo existe é porque já foi útil para a sobrevivência de nossa espécie no passado remoto.


Mudança de atitude para com a vida


Por que permitir que a vida entre, se só vem desgraça? A “graça pode ser comparada ao dom da vida. Então, o fato de está vivo e poder desfrutar disso e, ao mesmo tempo, ter um sentimento de gratidão confirma a ideia de que vale a pena viver. Ao falarmos de “desgraça” é sobre o estado mental de não reconhecimento desse dom ou dádiva. Pois não conseguiria encontrar dentro de si mesmo, provavelmente por causa de suas memórias e de suas experiências, motivo que justificasse querer desfrutar desse viver.


O estado de graça está associado, portanto, em agradecer de forma espontânea e genuína, simplesmente por viver e, talvez, direcionasse isso aos seus pais ou a Deus, como a entidade simbólica representativa do cosmos. Você precisa ser grato pela vida e demonstrar isso aproveitando cada segundo. Se você disser para a vida que não a quer, saiba: ela é muito sentimental, ela vai lhe abandonar para você morrer a míngua.

Antes mesmo do diabetes como doença física, surge dentro de você uma desistência pela vida, uma recusa pelas “delícias do viver”. Por isso os fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes do tipo 2, são justamente tudo aquilo que vai congelando a sua vida, tornando-a paulatinamente mais lenta e reclusa: obesidade e sobrepeso, que significa energia parada e hipertensão, no qual o sangue está tendo dificuldade de circular.


Quem foi majoritariamente “caçador”, deve ter muito orgulho da vida que levava, mas precisa entender que aquele passado de irresponsabilidades da juventude acabou, precisa aceitar com mais ternura os novos desafios que a vida lhe coloca, que não são mais o correr por aí, mas o de fixar-se e cuidar de quem se ama. Quem desde cedo foi mais fixado a um lugar, em sua forma de ser, até tentou algumas coisas novas: um amor, uma profissão, outro país ou outra cidade, mas por algum motivo as coisas se acomodaram e agora tentar novamente lhe parece muito arriscado, precisa saber que a vida é assim, corre-se risco o tempo todo. Lógico, você não precisa mais ser um jovenzinho inconsequente, mas que tal ousar, sonhar novamente? Entre glórias do passado e medo do futuro, é preciso sempre ter o olhar do coletor, que encontra oportunidade de comer algo novo entre aquilo que a vida lhe oferta gratuitamente, com a sábia experiência de identificar o que é venenoso.


Pode parecer bem estranho o que vamos dizer, mas a vida na condição da Grande-Mãe ela diria de forma muito clara para você: “já que não quer a vida que eu te dei com tanto esforço, devolva-me, pois sua morte é vida para mim”. Aqui está uma forma de interpretar o impulso de morte que Freud dizia carregarmos desde nosso nascimento.


Para terminar e lhe ajudar a ver a vida por outra perspectiva[14], o que podemos lhe dizer é que cada um de nós precisa valorizar aquilo que possui, a começar pelo fôlego de vida. Parece pouco, mas esse pouco é tudo aquilo que seus antepassados gostariam de ter e apostaram todas as fichas em você, para que o ciclo de vida continuasse. Portanto, com erros e acertos, tristezas e alegrias, você é especial, ao menos para todos eles que tem em você a continuidade deles, assim como para todos aqueles que te amam e dependem afetivo ou materialmente de você.


Nessa trama cósmica, existe um gesto, uma missão, um simples está no mundo, que só você pode desempenhar. Esse lugar lhe torna importante para o Todo. O todo da espécie e o Todo cósmico, ou então, como preferir: Deus. Esperamos sinceramente que você saia desse complexo interior de inferioridade ou de vitimização que lhe aprisiona ao passado e que lhe fez pensar não valer a pena viver. Essa vida aí é sua, foi lhe dada, algumas circunstâncias podem parecer que querem lhe tirá-la ou tirar alegria em tê-la. Tome-a para si, reaproprie-se dela e viva sem vergonha de ser feliz.



Referências


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CAIRO, Cristina. Linguagem do Corpo - Volume 1. Editora Cairo, 2018.

DEBRAY, R., O equilíbrio psicossomático e um estudo sobre diabéticos. [Trad. José Werneck]. São Paulo: Casa do Psicólogo, 1995.

Dethlefsen, Thorwald; Dahlke, Rüdiger. A doença como caminho: uma visão nova da cura como ponto de mutação em que um mal se deixa transformar em bem. Lisboa: Cascais, 2002.

DINIZ, Telmo. A melatonina e a diabetes. [On-line] O Tempo. Publicado em 14 mar. 2015. [Link]

GRAÇA, Liliana A. C.; BURD, Miriam; MELLO FILHO, Júlio. Grupos com diabéticos. Cap. 13, pp. 203 - 221. In: MELLO FILHO, Júlio (Org.). Grupo e Corpo - Psicoterapia de Grupo com pacientes somáticos. Casa do Psicólogo, 2007.

HARARI, Yuval N. Sapiens: uma breve história da humanidade. [Trad.: Janaína Marcoantonio]. L&PM, 2015.

Malerbi, D.; Franco L. J. Multicenter study of the prevalence of diabetes mellitus and impaired glucose tolerance in the urban Brazilian population aged 30 a 69 years. Diabetes Care, vol. 15, num. 11, pp.1509-1516, 1992.

MARCELINO, Daniela B.; CARVALHO, Maria D. de B. Reflexões sobre o diabetes tipo 1 e sua relação com o emocional. Psicol. Reflex. Crit., Porto Alegre, vol. 18, num. 1, pp. 72-77, abr. 2005. [Link] .

NEVES, Walter et al. Assim Caminhou A Humanidade. Palas Athena, 2015.

RADZIUK, J.; PYE, S. Diurnal rhythm in endogenous glucose production is a major contributor to fasting hyperglycaemia in type 2 diabetes. Suprachiasmatic deficit or limit cycle behaviour? Diabetologia, vol. 49, num. 7, pp. 1619-1628, mai. 2006. [Link].

SERAPHIM, Patrícia M. et al. A glândula pineal e o metabolismo de carboidratos. Arq Bras Endocrinol Metab, São Paulo, vol. 44, num. 4, pp. 331-338, ago. 2000. [Link].

Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD). Classificação etiológica do diabetes mellitus. Diretrizes SBD 2014-2015. [Link].

_____. Epidemiologia e prevenção do diabetes mellitus. Diretrizes SBD 2014-2015. [Link].

STANFIELD, Cindy L. Fisiologia Humana. [Trad.: Cláudio F. Chagas]. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013.

Stefani, Stephen D. et al. Clínica médica: consulta rápida. [Recurso eletrônico] 3a. Ed. Porto Alegre: Artmed, 2008.

TOLEDO, Karina. Falta de melatonina causa obesidade e diabetes, aponta pesquisa. Agência FAPESP. Publicado em 23 jan. 2015. [Link]



Notas


[1] Alguns exemplos desse tipo de pesquisa: 1) DEBRAY, R., “O equilíbrio psicossomático, e um estudo sobre diabéticos”, 1995, [Link]. 2) BARBOSA, Roselaine F. et al. “Psicossomática, gestação e diabetes: um estudo de caso”, 2012, [Link]. 3) MARCELINO, Daniela B.; CARVALHO, Maria D. B. “Reflexões sobre o diabetes tipo 1 e sua relação com o emocional”, 2005, [Link]. 4) Chiozza, Luis A. “Afectos y afecciones 2: los afectos ocultos en la enfermedad”, 2008, pp. 257-272 [Link]. [2] Com dados da Organização Mundial da Saúde e da Federação Internacional do Diabetes. [3] MALERBI, D.; FRANCO L. J. “Multicenter study of the prevalence of diabetes mellitus and impaired glucose tolerance in the urban Brazilian population aged 30 a 69 years”, 1992. [Link] [4] Para explicar sobre a funcionalidade da insulina e da respiração celular usamos o livro de Stanfield de Fisiologia Humana convertendo para uma linguagem mais simples. Cf. STANFIELD, Cindy L. “Fisiologia Humana”. [Trad.: Cláudio F. Chagas]. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2013, p. 713. [5] Micção frequente (poliúria), sede excessiva (polifagia) e fome excessiva (polidipsia) Cf. Wikipedia.org e STEFANI, Stephen D. et al. “Clínica médica: consulta rápida”, 2008, p. 136. [6] GRAÇA, Liliana A. C.; BURD, Miriam; MELLO FILHO, Júlio. Grupos com diabéticos. Cap. 13, pp. 203 - 221. In: MELLO FILHO, Júlio (Org.). Grupo e Corpo - Psicoterapia de Grupo com pacientes somáticos. Casa do Psicólogo, 2007. [7] Cf. es.wikipedia.org: Luis Antonio Chiozza (Buenos Aires, 5 de noviembre de 1930), es un médico psicoanalista argentino, ganador del Premio Konex en 1996 y conocido por sus investigaciones sobre medicina psicosomática. Cf. CHIOZZA, Luis A. “Afectos y afecciones 2: los afectos ocultos en la enfermedad”, 2008, pp. 257-272 [Link]. [8] Cf. Chiozza (2008), p. 268. [9] Sobre a história evolutiva da espécie humano usamos duas fontes principais: 1) NEVES, Walter et al., “Assim Caminhou A Humanidade”, 2015. 2) HARARI, Yuval N., “Sapiens: uma breve história da humanidade”, 2015. [10] Rica na diversidade da dieta e sofrida na incerteza do que encontrar. [11] CAIRO, Cristina, “Linguagem do Corpo - Volume 1”, 2018. [12] 1) TOLEDO, Karina. Falta de melatonina causa obesidade e diabetes, aponta pesquisa. Agência FAPESP. Publicado em 23 jan. 2015. [Link] 2) RADZIUK, J.; PYE, S., “Diurnal rhythm in endogenous glucose production is a major contributor to fasting hyperglycaemia in type 2 diabetes. Suprachiasmatic deficit or limit cycle behaviour?”, 2006. [Link]. 3) SERAPHIM, Patrícia M. et al., “A glândula pineal e o metabolismo de carboidratos”, 2000. [Link]. 4) AMARAL, F. G. et al., “Environmental Control of Biological Rhythms: Effects on Development, Fertility and Metabolism”, 2014. [Link] [13] DINIZ, Telmo. A melatonina e a diabetes. [On-line] O Tempo. Publicado em 14 mar. 2015. [Link] [14] Este final tem um cunho de apelo filosófico-espiritual, pois acreditamos que o “remédio” para a atitude diabética é uma ressignificação do sentido da vida. Obviamente, o diabetes mellitus que atinge o corpo carece de cuidados próprios já versados pela Medicina. Esse trecho final foi inspirado na música “Quero que valorize” do compositor brasileiro, de estilo gospel, Armando Filho. [Link].



(*) Sobre o Autor

Wagner Soares de Lima é mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental, especialista em Gestão Pública, graduado em Administração e em Segurança Pública. Estudante de Especialização em Psicologia Junguiana com ênfase Clínica e de graduação em Psicologia. Atua como constelador familiar e terapeuta organizacional (wagnersoaresdelima@gmail.com). Sócio-colaborador do Zoe Integrativa: http://zoeintegrativa.com/wagnersoaresdelima.

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