Complexo parental positivo ou negativo, identificando a influência deles em sua vida adulta

Atualizado: 11 de Dez de 2019

Parte 2, esta série tem 3 partes


Esse texto é a segunda parte da série “Precisei te odiar para poder me amar”: complexo parental levada às últimas consequências, se você não leu ainda a introdução do tema clique aqui para compreender melhor o assunto.


Agora vamos dar prosseguimento falando inicialmente sobre aquelas relações que mantemos tanto na intimidade como na vida social pública, na qual, ficamos simplesmente sem defesas para com o comportamento de outras pessoas. Ao ver nele o representante de seu pai ou de sua mãe, você parece se entregar de corpo e alma para aquela situação.


Independente de ser um registro positivo ou negativo, nossa relação com nossos pais tende a ser repetida


Porta de acesso para os abusadores socioemocionais


Vamos para alguns exemplos: abusadores socioemocionais que cometem assédio moral podem se aproveitar quando você baixa a guarda e sem uma explicação racional convincente, simplesmente, você se permite ser pisada, usada e até molestada por um chefe, marido ou colega de trabalho. Isso pode ocorrer com homens ou com mulheres e o abusador pode tanto está representando seu pai ou sua mãe.


A verdade é que mesmo que essa pessoa lhe faça mal, você não poderia ficar totalmente contrário e largar de vez aquele que representa um de seus pais, não é mesmo? Bem, mas essa pessoas não são nem seu pai, nem sua mãe e por isso mesmo você deve aprender a se defender dessa armadilha. E ainda que fossem, quando nossos pais ultrapassam determinados limites é preciso construir seu próprio espaço de vida. Principalmente quando já somos maiores e eles ainda desejam dominar nossas vidas.


Essa armadilha é uma das portas de acesso para situações, que se não identificadas a tempo para que possamos nos defender, podem trazer consequências muito graves. Entre as situações mais comuns que disso pode ocasionar estão: processos de codependência em contextos de violência, assédio moral em ambiente de trabalho, assim como compulsão por comportamento de alto risco entre outras situações que nos colocam em vulnerabilidade.


Outros exemplos podem ser quando, ao contrário, alguém que já devia ter se afastado, insiste que você deve cuidar dela como se você fosse a mãe ou pai dela. Podemos também perceber algo parecido com isso, em pessoas que tem uma relação intensa, ao ponto de ser excessiva, numa mistura de amor e ódio pela empresa ou pela igreja da qual faz parte.


Existem categorias específicas de abusadores sociais eles podem ser pessoas, podem ser instituições, assim como podem ser inerentes as função socioafetiva que a aquela pessoa desempenha na determinada instituição. Alguns abusadores sociais não são plenamente conscientes do que estão fazendo, por outro lado, uma minoria não só é consciente, como entende que essa é uma maneira de manipular as pessoas.


Esses tais, acabam se sobressaindo nas instituições formais ou informais das quais participam pois conseguem atrair você justamente no seu ponto fraco, sua predisposição de "seguir o chefe do bando" ou da família, ou melhor, seu pai ou sua mãe.


Vou apresentar uma lista de algumas posições que podem ser ocupadas por abusadores em dinâmica de correspondência com o complexo parental:

  • cônjuge de modo geral: marido ou esposa, companheiro(a);

  • parceiros íntimos de outra espécies: namorado(a), amante;

  • orientador(a), professor(a);

  • chefe, patrão(oa);

  • líder religioso, líder político.


♫ Terapia com música


Vou propor uma dinâmica com música, para você perceber o que esse tipo dinâmica é capaz de fazer com você e para que através de insight você consiga trazer à consciência quem está no lugar de representante e a qual das figuras parentais (pai ou mãe) está associado. Nesta dinâmica, você vai dar os primeiros passos para descobrir ou ter certeza se existe alguém na posição de abusador social em sua vida.


Preciso apenas vacinar você de uma tendência embutida em nós pela cultura: esse tipo de música tende a ser direcionada a relações amorosas com parceiros sexuais. E realmente, há uma grande chance de que uma relação abusiva seja mantida com parceiros sexuais e/ou conjugais. Mas não é apenas esse tipo relação que pode ser influenciada pela dinâmica de atração do complexo parental. Vou deixar que você mesmo perceba quem mais na sua vida pode está sendo posto nessa posição.


A música escolhida é "Você me vira a cabeça", composta por Chico Roque e Paulo Sérgio Valle, interpretada pela cantora brasileira Alcione. Tenha contato agora com a música e a letra. E deixe que seu coração e sua mente lhe mostrem a imagem e as lembranças de quando e com quem isso possa ter ocorrido ou ainda ocorra.



Identificar justamente a figura do seu pai, da sua mãe, ou de alguém que fez o papel deles é o que se espera como normal dessa dinâmica. Se surgiram essas figuras parentais, pode ser que o "fascínio" por eles ainda esteja tão forte, que seus pais reais possam está interferindo na sua vida de uma forma não tão saudável para um adulto.


Mas nosso principal objetivo é saber se outra pessoa, instituição, ente coletivo ou fonte de prazer está ocupando aquela posição que, onde até podia está seus pais ou avós, mas não por esses outros. A questão aqui não deixar de ter o sabor e o cheiro da paixão em nossas vidas, que vida sem graça seria se não tivéssemos nossos momentos de loucura. O que estamos cuidando aqui é que nenhuma dessas "loucuras" imponha-se a você, lhe roubando o controle da sua vida.


Leia agora um trecho dessa música e perceba sobre que tipo de situação de controle mental estamos falando:

Você me vira a cabeça, me tira do sério. Destrói os planos, que um dia eu fiz pra mim [...] Eu sempre vou e volto, pros teus braços. Você não me quer de verdade. No fundo, eu sou sua vaidade. Eu vivo seguindo os teus passos. Eu sempre estou presa em teus laços. É só você chamar, que eu vou.

Neste texto, vamos falar de algumas dessas posições e relações. As que não falarmos agora será tema de outras postagens.


Correlação com o ambiente acadêmico: na relação orientador-orientando


Uma relação que é muito propícia em ocorrer esse tipo de transferência é a de orientador e orientando em ambientes acadêmicos de cursos universitários. Quem não passou por isso, normalmente, vê na aflição do estudante de graduação ou pós-graduação um sofrimento infantil que não condiz com a seriedade formal do mundo acadêmico. Mas é justamente isso, se você cair na armadilha da identificação entre a relação orientando(a)-orientador(a) com a de filho(a)-pai/mãe realmente as reações serão infantis literalmente.


Nesse enredo, o produto que seria a monografia, dissertação, artigo ou tese encaixam-se geralmente com o produto da fase anal, segundo a teoria das fases de desenvolvimento de Freud. Portanto, o estudante terá reações típicas daquelas que ele mesmo quando criança teve quando lhe era cobrado ter o controle da liberação das fezes. E se um professor universitário não se policiar, vai está cobrando do aluno tal qual um pai ou uma mãe brigam porque o menino(a) fez cocô nas calças.


Em nenhum desses exemplos existem originalmente a constituição de uma relação genuinamente negativa, ao contrário, elas geralmente se formam como muito positivas. Podemos dizer, portanto, que o problema típico desse tipo de prisão mental é amar demais. E se você não olhar para isso e de alguma forma não cuidar dessa situação, você tenderá a permanecer repetidamente no mesmo padrão de interações afetivas e sociais.

Não é o atual que é parecido com o seu ex, é você que nunca deixou de ter seu pai ou sua mãe como referência


Ou seja, mesmo que troque de emprego, considerando que seu padrão de amor verdadeiro que lhe motiva a viver e buscar satisfação profunda ainda é o mesmo, simplesmente seu novo emprego repetirá as mesmas questões anteriores. O mesmo tipo de coisa ocorre, quando depois de um divórcio, o próximo companheiro ou companheira estabelecem uma relação semelhante ao casamento ou relacionamento anterior.


No começo você pode nem perceber isso, mas com o tempo a outra pessoa vai ficar cada vez mais parecida com seu ex. Bem, é assim que você pode pensar, mas na verdade, ele ou ela está apenas reagindo a sua forma de se relacionar que provavelmente está repetindo aquilo que você aprendeu nas suas relações amorosas de base, quais? A com seu pai e sua mãe. Então, seu atual não está repetindo seu ex, é você que não larga o que quer que tenha ocorrido entre você e seu pai, quer tenha sido bom ou mau.


Falamos um pouco sobre essa situação em outro texto aqui do Blog Zoe Integrativa, leia se for de seu interesse, lá falamos dessa saída da repetição de forma suave e respeitosa, aqui vamos falar mais quando as coisas ficam tão sérias que o “desgrudar” dos pais será doloroso.


Começando a pensar nos caminhos para sair do labirinto



Agora, vamos falar um pouco do que pode ser feito para resolver ou começar a se distanciar do “problema” que te persegue a vida toda. Nem podemos chamar de problema em si, simplesmente sua “máquina” mental faz algo automático que tem um grande valor para a sobrevivência. E como seria o algoritmo dessa programação?


Mais ou menos assim: “se papai e mamãe querem seu bem e fizeram tudo para que eu chegasse vivo até aqui, então vou me defender de comportamentos dos quais não conheço e vou procurar tudo aquilo que lembre a forma como eles me amaram”. A questão é que, na maioria das vezes, chega um momento da sua vida que você deseja outros tipos de relacionamentos amorosos, de trabalho e na vida em geral.


Se por algum problema de percurso seus pais não tiveram uma relação tão saudável com você ou até mesmo entre eles, essas marcas podem resultar em traumas que serão repetidos na vida adulta.


Se por acaso sua mente, sem que você controlasse isso, escolheu a forma como seu pai agia para com o trabalho e ele não foi bem sucedido, você pode desejar ter outro tipo de relação com o trabalho, mas não vai consegui por mais que tente, já que inconscientemente está lá “programado” que o mais seguro (entenda: cômodo) é imitar seu pai, independente que você classifique como tendo sido bem sucedido ou não.


Afinal de contas, como faço para fugir de tudo isso?Infelizmente terei que te dizer algo que você não vai gostar: de forma geral, não tem como. Não se foge disso, você consegue administrar. Manter uma vigilância sobre si mesmo, para não cair naquelas repetições que mais te machucam e, simplesmente, aceitar aquelas outras que acabam ligando você a seus pais.

Onde o complexo parental está atuando em minha vida e como posso administrar isso?


Como se viu nas explicações anteriores, essa busca por repetir o padrão de relação estabelecido com os pais é muito forte e pode ocorrer em várias áreas diferentes da sua vida e sair definindo a relação que você mantém com mais de uma pessoa ao mesmo tempo.


É possível que aspectos diferentes de sua mãe estejam servindo de referência para relacionamentos diferentes, por exemplo: o como sua mãe era às vistas com seu pai, você pode está repetindo com sua esposa. A parte da intimidade ou da juventude dela você pode está imitando com sua amante e a parte de como ela era exigente ou amorosa como mãe você pode está projetando na sua líder ou no seu chefe.


Isso pode ser ambivalente e a seleção não é consciente. Por ambivalente queremos dizer que pode em um momento remeter a um aspecto positivo e outro a um negativo, assim como pode num momento repousar em uma pessoa e depois mudar, migrando para outro representante ou para a outra figura parental.


Administrando as coisas com as primeiras chaves de mudanças viáveis


Aqui está uma das chaves para o "administrar" de forma sensata. Quando um aspecto de um determinado tema da sua vida, no qual você percebe está imitando seu pai, lhe é prejudicial, pode não ser fácil mudar para um padrão qualquer, mas se você optar por um "treinar" na direção de como sua mãe agia, poderá ser mais fácil.


Depois que finalmente você consegui sair daquele padrão prejudicial, aí quem sabe você possa migrar para um padrão que nem era o de seu pai, nem era o da sua mãe.


Existe um conjunto de padrões de atitude-comportamento que pairam sobre você, apenas como potencial, sem nunca realmente ter se concretizado: é tudo aquilo que você sonhou, que provavelmente possam ser semelhantes a alternativas de vida que seus pais também desejaram, mas a vida não permitiu que seguissem. Aí está outra chave de mudança valiosa.


Por isso é muito vantajoso parar e conversar com aqueles que conheceram seus pais, ou com eles mesmos, para entender aquelas partes das vidas deles que você não conhece e, talvez, nem fosse nascido ainda.


Portanto, uma das primeiras tarefas é começar a perceber com quem essa repetição está acontecendo e se ela é ou não prejudicial. Uma coincidência como ter o mesmo nome, fazer aniversário em datas próximas pode revelar quem está representando e se é em relação à mãe ou ao pai.


E mesmo você descobrindo que existe essa repetição, você pode perceber que não tem nada de mais, que até então tem sido satisfatório para você e não tem prejudicado essa outra pessoa. Se assim for, apesar do fato curioso de que vai parecer que você está casado com seu próprio pai ou que você ver na sua orientadora sua própria mãe, não terá porque você romper isso de forma abrupta.


Na próxima parte desta série vamos falar sobre o caminho que cada um deve trilhar na direção de seu crescimento pessoal.


Caso você tenha chegado até aqui sem ter lido a primeira parte, você pode clicar aqui para lê-la.


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Mas talvez sua necessidade imediata seja mesmo de desabafar, de poder ser ouvido por alguém. Recomendo que faça uso do serviço do Centro de Valorização da Vida (CVV): "Como Vai Você", gratuito, 24 horas, válido para todo o Brasil. Basta ligar 188 ou acessar: https://www.cvv.org.br/


Sobre o autor

Meu nome é Wagner Soares tenho 37 anos, sou taurino com ascendente em sargitário, ao todo fui e sou pai de 5 filhos, natural de Maceió-AL, mas resido em Recife-PE, onde trabalho como servidor público federal. Já estudei Administração e Segurança Pública, área que ainda atuo. Depois de um divórcio difícil, uma mudança de emprego marcante e um intenso movimento de afirmação de minha sexualidade, percebi que tanto no ambiente da vida pessoal como da social, conteúdos psicológicos profundos afetam a trajetória das pessoas assim como das organizações. Por isso me tornei mestre em Ecologia Humana focado no campo da Ecologia Mental, sob as bases da Psicologia Complexa de Carl Gustav Jung.


No intuito de trazer saúde para os sistemas sociais humanos, entre eles as organizações do trabalho, tenho buscado saberes e práticas de cura. A cura de empresas, famílias, órgãos, partidos, sindicatos e instituições em geral perpassa em conjunto pela cura das pessoas que integram esses sistemas sociais. Percorrendo esse caminho, hoje eu sou constelador familiar, terapeuta organizacional e aluno de Psicologia.


  • Para empresas e demais instituições ofertamos nossos primeiros achados da Ecologia Organizacional Clínica, através de consultoria.

  • Para as pessoas abordamos as Ciências da Família nos temas de Sexualidade, Conjugalidades e Cultura, assim como ofertamos sessões de constelação familiar e processos de life coach.


Site: www.zoeintegrativa.com/wagnersoaresdelima Instagram: https://www.instagram.com/wagner.soaresdelima/

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