É preciso seguir caminhos diferentes de seu pai e sua mãe, sem deixar de honrá-los

Atualizado: 29 de Abr de 2019

(*) Artigo orinalmente postado no Blog do Instituto Onukisan >>>

Mestre Jesus certa vez disse: “quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim”. É uma frase muito forte, mas a psicanálise e outras diversas psicoterapias têm apontado justamente para isso. Somos abençoados pela dinâmica encontrada pela natureza humana de usar um “piloto automático”, que funciona da seguinte forma: aquilo que deu certo para meus avós e pais, na dúvida, é o que eu devo fazer para dar certo pra mim também.


E se meus antepassados sobreviveram o bastante, para que eu existisse, e fosse nutrido até a vida adulta, então seja lá o que fizeram, foi bom; assim está programado esse mecanismo de evolução biológica-cultural. E nesse caso, nosso “piloto automático” tenderá a imitar os passos de nossos pais. Uma canção do compositor brasileiro Belchior, interpretada pela cantora Elis Regina, dizia: “ainda vivemos como nossos pais”.


Isso é muito forte. No começo do século XX, Sigmund Freud nos mostrou como fatos vivenciados com os pais podem marcar para sempre as pessoas. Nosso pai é o nosso grande referencial de homem, nossa mãe é nosso grande referencial de mulher. E todos os que de certa forma fizeram o papel deles: avós e avôs, tias e tios, mães e pais adotivos, madrinhas e padrinhos, madrastas e padrastos. Todos eles juntos formam o grande Pai e a grande Mãe que são para nós o referencial de como se portar perante a vida.

Mas se a forma como eles viveram até hoje, não for mais adequada para mim? Sou obrigado a repetir, como se fosse uma prisão? É por aí, que o mestre judeu-palestino direcionava a pensar.


Nos anos 60 e 70 surgiram terapias que diziam: dê um grito de liberdade para tudo aquilo que lhe prende, inclusive essa obrigação de ser como seus pais. Liberte-se da mágoa que, porventura, eles tenham causado. Uma dessas terapias era o Grito Primal de Arthur Janov, que chegou a tratar o cantor John Lennon. Bert Hellinger reuniu aspectos de inúmeras terapias, entre elas o próprio Grito Primal e constituiu as Constelações Familiares, usando a denominação amplamente utilizada por Jung.

Jung dizia que constelar era ativar um complexo em detrimento de outro, mudando o poder que ele tinha de influenciar nossas vidas. Hellinger usava o “constelar” como “reposicionar”. Portanto, era preciso reposicionar o papel de nossos pais em nossas histórias assim como propunha Janov, mas como fazê-lo sendo respeitoso para com eles? Não se pode simplesmente dizer: não quero mais saber dos meus pais. Hellinger percebeu que essa atitude de repugnância contra os pais trazia ainda mais sofrimento. Era preciso integrar. Fazer os dois ao mesmo tempo: agradecer e ainda sim, partir.

Em terapias sistêmicas familiares, temos fomentado isso: olha seu pai, olha sua mãe, agradeça, sem eles você não teria a vida. Mas agora, é hora de seguir seus próprios passos. A história deles e os percalços por eles vividos são deles. E os traumas gerados por eles em você, foram cometidos sem que eles pudessem saber o porquê faziam isso e o quão era prejudicial. Fizeram o melhor para você, mas você está livre para seguir outra vida.


E dessa forma há liberdade sem revolta. Há gratidão sem prisão.


Sobre o autor:

Wagner Soares de Lima

Administrador, especialista em Gestão Pública (UFAL), Mestre em Ecologia Humana e Gestão Socioambiental (UNEB). Constelador Familiar pela Onukisan e Constelador Estrutural pela Geiser Works. Terapeuta energético, praticante de Barra de Access. Pós-graduando em Psicologia Junguiana Clínica. Servidor federal na área de Segurança Universitária (UFPE).

Email: wagnersoaresdelima@yahoo.com.br.

Site: www.zoeintegrativa.com/wagner-soares-de-lima


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